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Os mitos e verdades sobre o filtro solar - Correio Popular (Campinas - SP)

21/01/2007

Raquel Lima

Se você costuma usar filtro solar, provavelmente já se questionou sobre o fator de proteção ideal para o seu tipo de pele, qual a melhor opção para as crianças, como aplicar e quando reaplicar o produto, ou se é verdade que fatores acima de 30 apenas custam mais caro e não apresentam melhor eficiência que os demais. Outras polêmicas também cercam esse produto: há quem diga que o filtro solar, mais do que alergias, pode causar uma série de prejuízos à saúde das mulheres, como endometriose e predisposição ao câncer uterino, e dos homens, como aumento da incidência de câncer testicular e até mesmo, pasmem, a diminuição do tamanho do pênis. Mas, antes de entrar em pânico, leia a reportagem até o final para saber o que os especialistas dizem sobre isso. Um dos divulgadores destes efeitos é o diretor de uma empresa do setor farmacêutico de São Paulo. Fernando Luna, formado em Comércio Exterior, afirma que os filtros solares, principalmente aqueles com fatores maiores que 30, “promovem exposição desnecessária e imprudente de substâncias tóxicas ao organismo". “Temos visto uma quantidade de estudos sobre possíveis efeitos colaterais do uso contínuo de filtros solares. Em alguns estudos, verificou-se uma toxidade estrogênica em alguns desses produtos, que podem atingir a corrente sangüínea", afirmou Luna. As declarações do diretor têm como embasamento um estudo desenvolvido em dezembro de 2004 por um grupo de pesquisadores, incluindo a farmacêutica campineira Evelyn Ojoe. O documento diz que “os principais efeitos da ação de estrogênicos químicos em seres humanos são, para o caso das mulheres: endometriose, cisto uterino, doença fibrocística nos seios, aumento dos seios, predisposição ao câncer uterino, dor de cabeça, severa tensão pré-menstrual, alterações no ciclo menstrual. Já no caso dos homens, pode ocorrer a diminuição na quantidade de esperma, feminização, confusão sexual, desenvolvimento dos seios, tamanho de pênis menor que o normal, maior incidência de câncer testicular, ausência de testículo, bloqueio ou redução de características do comportamento masculino no cérebro fetal". Em entrevista à reportagem, Evelyn disse que o trabalho citou constatações de cientistas estrangeiros e que as informações referem-se a protetores solares de “baixa qualidade". Ela afirmou ainda que os testes foram feitos somente em animais. Como solução, Luna apresenta um produto comercializado pela empresa que dirige, um filtro solar feito de uma substância de origem japonesa que, segundo o empresário, “forma uma película na pele que promove proteção contra os raios UVA e UVB, garantindo integridade do organismo e impossibilitando a absorção dos ingredientes químicos e danosos através da pele".

Contraponto

Todos os especialistas ouvidos pela reportagem da Agência Anhangüera de Notícias (AAN) contestaram as afirmações de Luna. Eles afirmaram que não há comprovações científicas de efeitos colaterais graves causados pelos filtros. O dermatologista Mário Grinblat, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), disse que não há referência alguma que aponte que os filtros solares cheguem à corrente sangüínea, causando risco à saúde das pessoas. “Quero bases científicas. É um assunto que não tem o menor sentido", disse, categórico. “Os filtros solares não são absorvidos na corrente sangüínea. A função bloqueadora fica sobre a pele", garantiu Lecy Marcondes Cabral, integrante do corpo clínico do Hospital e Maternidade São Luiz e do Hospital Israelita Albert Einstein. Para a dermatologista Aparecida Machado de Moraes, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), “estas possibilidades são especulativas". “Não há estudos científicos que comprovem todos esses efeitos adversos. As reações adversas mais freqüentes e conhecidas são as alergias", explicou. O dermatologista Andrelou Fralete Ayres Valarelli, de Campinas, ressaltou que os filtros solares são utilizados desde a década de 50. “Sempre participo de congressos sobre protetores solares e nunca ouvi nada nessas proporções", disse o especialista. “Isso não está na literatura médica. Desconheço qualquer trabalho de gabarito que aborde essa questão. É um alarme desnecessário", declarou Lúcia Helena de Arruda, chefe do Departamento de Dermatologia do Hospital Celso Pierro, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Após análise do material divulgado pela assessoria de imprensa da empresa, Paulo Eduardo Neves Ferreira Velho, dermatologista da Unicamp, afirmou que “não há respaldo científico, segundo o foi apresentado".

Na mesma família, atitudes opostas

Embora o câncer de pele seja o tipo de câncer mais freqüente, correspondendo a cerca de 25% de todos os tumores malignos registrados no Brasil, e a radiação ultravioleta natural, proveniente do sol, seja o seu maior agente causador, ainda há quem passe longe dos filtros solares. É o caso do assessor de turismo Tiago Silveira Ferreira, de 41 anos, morador do distrito de Sousas, em Campinas. “Nunca usei em toda a minha vida. Detesto passar qualquer tipo de creme no rosto", disse. “Sou desencanado com essas coisas de médico e saúde. Nem vou ao dermatologista porque sei que vou tomar bronca", admitiu. Ferreira contou que recorre ao bronzeador com FPS 4 quando vai à praia. “No meu primeiro dia de sol, fico vermelho e ardendo. Depois, fico bronzeado", declarou. “Mas quando estou na praia, tomo o cuidado de tomar sol somente das 8h às 10h, usar boné, óculos e guarda-sol", completou. Um comportamento bem diferente, o assessor de turismo encontra dentro da própria família. A mãe, Maria Helena Silveira Ferreira, de 69 anos, fala com orgulho da pele cuidada há mais de 40 anos com muito protetor solar. “Quando acordo, imediatamente escovo os dentes, lavo o rosto e passo o filtro solar. É um ritual diário que nunca falha", disse. Maria Helena afirmou que usa FPS 30 e reaplica o produto a cada duas horas, sem esquecer de todas as partes expostas ao sol: braços, colo e pernas. “Acho fundamental usar e sempre insisto com meus filhos para que eles usem também. Meu cuidado é, em especial, para evitar o envelhecimento, mas o sol também pode causar doenças na pele", completou. O músico Alessandro Rosa de Oliveira, de 35 anos, disse que passa FPS 30 apenas quando joga bola com os amigos. “Eles costumam tirar sarro, mas não estou nem aí. Sei que isso é coisa séria e me queimo muito fácil", disse. Porém, Oliveira declarou não ter a preocupação de passar o produto no dia-a-dia. “Como sou músico, não costumo sair muito de casa durante o dia", justificou. (RL/AAN)

Tecidos especiais filtram os raios solares

Algumas empresas no Brasil já desenvolvem e comercializam artigos com proteção solar têxtil, como roupas e acessórios, que contam com design adaptado, abas ampliadas, mangas longas, luvas, entre outros. De acordo com os comerciantes, os produtos não são de uso especificamente médico ou somente para pessoas com pele sensível. Em julho de 1996, a Austrália tornou-se o primeiro país a ter uma regulamentação formalizando as exigências em roupas de proteção ultravioleta. Esta regulamentação usa o termo fator de proteção ultravioleta (FPU) para designar a quantidade de proteção. Os testes em laboratório são realizados com um equipamento chamado espectrofotômetro. O resultado aparece como uma porcentagem de raios UVB e UVA transmitida pelo tecido. Com essas porcentagens, calcula-se o FPU oferecido. O FPU mede a porcentagem de raios UV filtrados pelo tecido. As cores mais claras oferecem uma proteção natural menor contra os raios UV. Tecidos com um entrelaçamento de fios mais fechado oferecem naturalmente uma proteção melhor. O algodão sem tratamento protege menos do que o poliéster e este menos do que a poliamida. Um tecido de algodão branco oferece FPU de 5 a 7 e o poliéster branco, 16. De acordo com a empresa, produtos classificados como “proteção 50+" filtram pelo menos 98% dos raios UVA e UVB e são roupas especialmente desenvolvidas para serem usadas no sol, com tecidos leves que facilitam a evaporação do suor. (RL/AAN)

O número

6.6 MIL TONELADAS - É o volume previsto de vendas de protetores solares no ano passado pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), 39% maior que em 2005

11 NÍVEL - É o índice de radiação ultravioleta, classificado de alto risco em uma escala que começa no nível 1, registrado em Campinas na última sexta-feira.

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