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As estraga-prazeres do verão

Emergência

 

As estraga-prazeres do verão

 

por Sara Duarte Feijó

 

Dor de barriga, enjoo, dores abdominais e febre podem ser sintomas de intoxicações alimentares muito comuns nesta época do ano

 

Verão típico, no Brasil, costuma incluir calor, chuvas fortes no fim de tarde, praia – e uma dorzinha de barriga. É que as altas temperaturas e a tentação de comer alimentos preparados fora de casa favorecem a disseminação de doenças do estômago e do intestino.

 

Há diversas delas – como intoxicação alimentar, colite (inflamação de uma parte do intestino chamada cólon) e gastroenterite (inflamação da mucosa do estômago e do intestino) – com sintomas parecidos: dor abdominal, vômito e até febre. Esses problemas podem ser tratados com remédios contra enjoo e antitérmicos. Porém, se o quadro evoluir para vômito frequente, diarreia, diminuição do volume da urina e boca seca, procure imediatamente um médico.

 

Entre os principais vilões gastrointestinais estão bactérias “muito comuns em lugares com temperatura elevada e grandes aglomerações, tais como as cidades litorâneas, que têm sua população multiplicada durante o verão”, explica Maria Bernadete de Paula Eduardo, diretora da Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CVE-SP).

 

Ela se refere às bactérias Staphylococcus aureus e Bacillus cereus, principais responsáveis por esse tipo de enfermidade de verão. A gastroenterite estafilocócica provoca dores abdominais, vômito e diarreia, cerca de quatro horas após a ingestão de alimentos contaminados. Já a Bacillus cereus provoca intoxicação em pessoas que tiveram contato com areia ou água infectadas ou consumiram alimentos que ficaram fora da geladeira.

 

Outros micro-organismos que costumam ser abundantes nessa época do ano são a salmonela, transmitida por alimentos como maionese e ovos, e a shigella, principal agente causador de disenterias em crianças de 2 a 4 anos de idade. E os temidos rotavírus, transmitidos por meio do contato com fezes ou alimentos contaminados.

 

Uma das formas mais comuns de intoxicação alimentar é a ingestão de comida esquecida fora da geladeira. Isso porque não adianta dar aquela cheiradinha básica. “Pouca gente sabe, mas a maioria das toxinas bacterianas é imperceptível ao olfato e ao paladar. Grande parte dos alimentos contaminados não apresenta odor desagradável nem gosto azedo, por exemplo”, explica Maria Inês Pinto Nantes, chefe da Pediatria da unidade Jabaquara do Hospital e Maternidade São Luiz, ligado à Rede D’Or São Luiz.

 

PRECAUÇÕES O que fazer, então? As medidas mais eficazes para evitar uma dessas síndromes de verão são: lavar as mãos depois de ir ao banheiro e antes de se alimentar, não nadar em praias impróprias para banho, só consumir água mineral e recusar alimentos de origem duvidosa, como os vendidos por ambulantes.

O que fazer, então? As medidas mais eficazes para evitar uma dessas síndromes de verão são: lavar as mãos depois de ir ao banheiro e antes de se alimentar, não nadar em praias impróprias para banho, só consumir água mineral e recusar alimentos de origem duvidosa, como os vendidos por ambulantes.

 

É muito importante só consumir alimentos preparados com higiene e conservados sob refrigeração, destaca o infectologista Jean Gorinchteyn, do Instituto de Infectologia Emilio Ribas, em São Paulo. “Muitas vezes, aquela empadinha ou queijo coalho deliciosos foram preparados na véspera e estão fora da geladeira há horas. Isso sem falar que o ambulante pega o alimento com a mesma mão com que manuseia o dinheiro”, diz o médico.

 

Mesmo os lanches feitos em casa exigem cuidados. Sanduíches e pratos que levam maionese, ovos, vinagrete e derivados de leite devem ficar na geladeira o maior tempo possível, em recipientes limpos e tampados. Na hora de levá-los à praia, o ideal é colocá-los em um isopor ou bolsa térmica com gelo. “Manter os alimentos a baixas temperaturas é a única forma de criar uma barreira contra os micro-organismos nocivos”, afirma Gorinchteyn.

 

Bebês, crianças pequenas e idosos são mais vulneráveis a doenças gastrointestinais de verão. E, se não receberem tratamento adequado, podem sofrer desidratação profunda e infecção aguda.

 

Por isso, ao primeiro sinal de intoxicação é preciso repor a água e os sais minerais perdidos. O soro caseiro, composto por água, sal e açúcar, é um paliativo emergencial. Contudo, não pode ser a única fonte de alimentação do doente. “Mesmo sem apetite, a pessoa deve fazer um esforço para tomar líquidos e comer alimentos saudáveis”, explica Cid Pinheiro, coordenador da Pediatria das unidades Anália Franco, Morumbi e Itaim do Hospital e Maternidade São Luiz e professor da Faculdade de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

 

Nessa fase, é fundamental evitar derivados de leite, doces, refrigerantes e sucos artificiais, pois o excesso de açúcar pode soltar ainda mais o intestino. Prefira alimentar o doente com um prato de arroz com carne moída sem molho e com pouco tempero, um purê de vegetais como cenoura, chuchu e batata, além de água mineral, chás e frutas como banana e maçã.

 

Em geral, ao receber essa alimentação, o paciente melhora espontaneamente. Se o vômito e a disenteria não cessarem, procure ajuda médica. No hospital, o paciente receberá soro por via intravenosa, fará exames e provavelmente ficará em observação por cerca de quatro horas. Caso seja detectada alguma bactéria mais resistente, poderão ser receitados antibióticos. A internação só será necessária se o paciente estiver muito debilitado ou se for algo mais grave. 

 

Os vilões do verão


Veja os hábitos e alimentos que favorecem o surgimento de doenças gastrointestinais

01.  Nadar em lagoas, rios e praias consideradas impróprias para banho

02. Peixes, ostras e crustáceos de origem duvidosa (se for produto embalado, verifique se tem o selo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária)

03. Pastéis, empadas e outros salgadinhos que tiveram o recheio preparado sem a devida higiene ou que ficaram sob o sol

04. Salada de maionese, ovos pochê e alimentos malcozidos (podem transmitir salmonelose)

05. Vegetais crus mal-lavados (é sempre bom deixá-los de molho em uma solução de água com hipoclorito de sódio)

06. Refeições prontas esquecidas fora da geladeira (o calor do ambiente pode levar à proliferação de toxinas)

07. Beber água de torneira, de chafariz e de bica (muitas cidades litorâneas têm saneamento básico deficiente, e os dejetos podem contaminar os reservatórios de água)

08. Presunto, mortadela, leite e requeijão que não ficaram adequadamente refrigerados

 

Quando é hora de ir ao hospital

Se dor de barriga é algo razoavelmente comum, como saber se é hora de procurar um pronto-socorro? Segundo a clínica geral Isabella Liberato, do Hospital Esperança, unidade da Rede D’Or São Luiz no Recife, é preciso ficar alerta quando, por mais de 24 horas, se manifestarem sintomas de intoxicação alimentar: febre, mal-estar, dor no corpo e falta de apetite.

 

Uma vez no hospital, o paciente deve fazer um exame de sangue para verificar se há alteração significativa no organismo e para descartar a hipótese de dengue, outra doença típica de verão.

 

Segundo Isabella, “quando o paciente chega ao pronto-socorro desidratado, é preciso fazer a hidratação intravenosa com soro. Além disso, administramos um medicamento antifebril para baixar a febre e um analgésico para aliviar a dor”.

 

Se o quadro não melhorar, pode ser necessária a internação. “Isso acontece quando, por exemplo, a queda de pressão persiste e a febre não cessa. Mas não é tão comum. Acontece mais com pacientes idosos, que têm o sistema imunológico mais frágil”, afirma a médica.

 

Indivíduos com enfermidades preexistentes também podem requerer mais cuidado. “Doenças cardiovasculares e doença renal crônica vão ser agravadas pela virose”, diz Isabella. Já os pacientes com diabetes, por terem o sistema imunológico debilitado, devem ser acompanhados mais de perto.