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Empreendedor de mão cheia

Diagnóstico

 

Empreendedor de mão cheia

por Manuel Alves Filho

 

Nascido no estado do Rio, mas morador de São José dos Campos (SP) há 41 anos, o gastrocirurgião Paulo Maurício Chagas Bruno fundou dois hospitais na cidade

 

QUANDO BRINCAVA PELAS RUAS tranquilas de Valença, município localizado no sul do estado do Rio de Janeiro, o garoto Paulo Maurício, então com seus 6 ou 7 anos, gostava de jogar bola. Era o começo dos anos 1950, década que, com o início do processo de industrialização conduzido pelos presidentes Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, foi um divisor de águas para o Brasil.

Em meio às importantes transformações econômicas e sociais do período, o menino já sabia o que queria ser quando crescesse. Seria médico, assim como um tio e um tio-avô. “Ao que me lembro, nunca desejei abraçar outra carreira. Além de contar com médicos na família, tínhamos amigos que eram grandes profissionais na cidade. Ou seja, sempre tive ótimas influências”, conta Paulo Maurício Chagas Bruno, hoje um conceituado cirurgião do aparelho digestivo e fundador do Hospital viValle, unidade que faz parte da Rede D’Or São Luiz e é referência em saúde em São José dos Campos (SP).

Projeto traçado, coube ao rapaz, apoiado obviamente pelos familiares, transformar o desejo em realidade. Concluído o ensino médio, foi cursar medicina na Universidade Federal Fluminense (UFF), na qual se graduou em 1970. Lá também fez residência médica em cirurgia geral e mais tarde se especializou em gastroenterologia pelo Colégio Americano de Gastroenterologia.

Médico formado, mudou-se para São José dos Campos, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, onde se revelaria não só um grande cirurgião, mas também um empreendedor de mão cheia. Tudo começou já na década de 70, quando ele fundou, com um grupo de colegas, o Hospital Policlin, que hoje é uma rede com unidades em quatro municípios da região – São José dos Campos, Caçapava, Taubaté e Jacareí.  

Em 1980, doutor Bruno, como é normalmente chamado pelos colegas de profissão, partiu para uma nova empreitada e criou a Clínica Gastroclínica. Em pouco tempo, o centro se tornou referência em sua área de atuação no Vale do Paraíba. Graças ao reconhecimento alcançado, o cirurgião entendeu que era o momento de alçar novos voos.

Assim, em meados da década de 1990, adquiriu um terreno no bairro Urbanova, onde começou a erguer o Hospital Gastroclínica. A unidade foi inaugurada no ano 2000, oferecendo inicialmente 35 leitos, sendo 29 de internação e seis de hospital dia/pronto atendimento, tendo como foco o tratamento gastroenterológico.

A partir daí, o hospital cresceu tanto em tamanho quanto em diversidade de atuação. Em 2002, foi inaugurada a UTI, com oito leitos. Em 2003, a instituição passou a integrar a Associação Nacional dos Hospitais Privados (Anahp). Em 2005, foi inaugurado o Instituto de Ensino e Pesquisa viValle, entidade sem fins lucrativos vinculada ao hospital, que promove a atualização do conhecimento científico e tecnológico dos profissionais da região. Finalmente, em 2006, a unidade trocou de nome e passou a se chamar Hospital viValle. Desse modo, além da gastroenterologia, começou a atender todas as especialidades médicas, tornando-se um hospital geral.

Com tantos serviços prestados a São José dos Campos, onde vive há 41 anos, doutor Bruno recebeu homenagem da Câmara dos Vereadores local, que lhe concedeu o título de cidadão joseense. O cirurgião, no entanto, não é de sentar em cima dos louros e depois de 2006 continuou trabalhando para melhorar o Hospital viValle.

“Graças a muito trabalho e perseverança, registramos novas evoluções, como a expansão física da unidade e a oferta de novos serviços, entre eles os de ortopedia e oncologia clínica e cirúrgica. Em 2011, dentro do seu processo de expansão, a Rede D’Or São Luiz fez uma proposta pelo viValle, o que me levou a vender o hospital. Entretanto, continuo respondendo pela direção clínica e atuando como o principal cirurgião do aparelho digestivo”, explica doutor Bruno, em tom de quem está falando sobre uma atividade mais associada ao prazer do que ao trabalho.

 

PASSATEMPO PREFERIDO  Para o cirurgião, a medicina é muito mais que uma mera obrigação. Tanto é que ele está frequentemente buscando se atualizar e contribuir para a evolução do trabalho nesse campo. Seu envolvimento com as questões relativas ao aperfeiçoamento dos profissionais da área é tão grande que o Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC), entidade que congrega aproximadamente 6 mil profissionais no país, o convidou recentemente para assumir a coordenação das regionais do interior de São Paulo do Clube Benedicto Montenegro, setor diretamente ligado ao CBC e responsável por oferecer educação continuada e promover cursos e jornadas médico-científicas.

A missão de doutor Bruno será levar aos seus pares temas atuais que possam contribuir para a melhoria dos procedimentos cirúrgicos. “Para mim, é um desafio e um prazer exercer essa função, pois é algo com o que estou envolvido desde sempre. Esta semana mesmo [meados de dezembro] estive ministrando aula no Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, sobre cirurgia minimamente invasiva. Adoro compartilhar conhecimentos com os colegas”, diz.

Gostar de ensinar, no caso do doutor Bruno, não é somente força de expressão. Tanto é que, perguntado sobre seu passatempo preferido, ele responde imediatamente: “Na realidade, toda a minha vida foi dedicada à carreira médica e científica. Eu diria que o ensino continuado pode ser considerado o meu principal hobby, pois é uma missão que me agrada muito”.

Questionado sobre se um envolvimento tão intenso com uma profissão tão estressante como a medicina, que lida com a dor de terceiros, não é algo que também pode levar ao esgotamento físico e mental, o médico diz que não. “A medicina é estressante, sim, mas eu não tenho problemas para administrar essa questão. Felizmente, não tenho conflitos pessoais, o que também me ajuda a levar uma vida sem desgastes.”

Como ninguém é de ferro, doutor Bruno admite que é um apreciador de bons pratos e vinhos. “Como descendente de italianos, gosto muito de massas. Não sou nenhum enólogo, mas também aprecio um vinho de qualidade, sempre de forma comedida”, conta.

Ainda no campo do lazer, como todo brasileiro, o cirurgião relembra os tempos de infância e diz ainda gostar muito de futebol, notadamente de uma “partida bem jogada”. No Rio de Janeiro, é torcedor do Flamengo. Em São Paulo, seu coração pulsa mais forte pelo Tricolor do Morumbi. “Por associação, quase todo flamenguista é corintiano, mas eu nutri maior simpatia pelo São Paulo”, explica aquele garoto que, entre uma partida e outra na Valença dos anos 50, já sonhava em ser médico.