Fechar
  • Unidade Itaim
    (11) 3040-1100
  • Unidade Morumbi
    (11)3093-1100
  • Unidade Anália Franco
    (11) 3386-1100
  • Unidade Jabaquara
    (11) 5018-4000
  • Unidade São Caetano
    (11) 2777-1100

Exame revolucionário - Há 40 anos a ressonância magnética abre novas possibilidades para a medicina

Medicina avançada

 

Viagem ao interior do corpo humano

 

por Ivan Accioly e Paula Montefusco

 

Há 40 anos, a ressonância magnética promove uma revolução na medicina diagnóstica ao permitir a análise de tecidos e órgãos sem necessidade de cirurgia

Quem estudou inglês já deve ter tropeçado na diferença entre physician (médico) e physicist (físico) e provavelmente achou estranho que as duas palavras, tão parecidas, possam ser usadas para designar pessoas tão diferentes quanto Stephen Hawking e Dr. House. No entanto, em vários momentos o trabalho dos profissionais dessas áreas esteve interligado.

 

Um dos exemplos mais notáveis veio da descoberta de um processo que controla a emissão de ondas de baixa frequência. O achado, da década de 1940, deu aos norte-americanos Felix Bloch e Edward Mill Purcell o prêmio Nobel de Física de 1952 e permitiu que, décadas mais tarde, a medicina ganhasse uma nova forma de diagnosticar: a ressonância magnética.

 

Utilizada pela primeira vez para fins diagnósticos na década de 1970, graças às pesquisas do médico norte-americano Raymond Damadian, a técnica permitiu analisar tecidos e órgãos sem necessidade de cirurgia. De lá para cá, essa tecnologia vem abrindo cada vez mais possibilidades para os médicos das mais variadas especialidades.

 

FUNCIONAMENTO A ressonância magnética produz imagens de órgãos por meio da interação entre os átomos que compõem os tecidos do corpo humano e um campo magnético externo – o magneto do equipamento. O paciente é colocado em uma máquina que produz esse campo magnético, ao redor do qual há uma bobina de recepção de sinal. As frequências emitidas pelos prótons do tecido em estudo são então captadas pela bobina e enviadas para um processador que as transforma em imagem.

 

Para detalhar e delinear lesões nos tecidos mapeados, é injetado no paciente um meio de contraste à base de um elemento químico chamado gadolínio. “Dentro da área de diagnóstico por imagem, os meios de contraste da ressonância magnética são considerados bastante seguros. Em geral, apresentam menos riscos que os utilizados em exames de tomografia computadorizada. Reações anafiláticas são raras e ocorrem em aproximadamente 0,03 a 0,1% dos pacientes”, explica Fernando Poralla, diretor de Serviços Médicos para a América Latina da Bracco Imaging do Brasil, uma das fornecedoras do contraste no país.

 

Hoje, a ressonância magnética é a melhor técnica disponível no Brasil para diagnóstico de várias doenças nas diferentes especialidades médicas, afirma Nitamar Abdala, chefe do Departamento de Radiologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp) e coordenador da Comissão Nacional de Qualidade em Ressonância Magnética do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR).

 

Não é todo mundo, no entanto, que pode se submeter a esse tipo de exame. Pacientes que sofrem de doenças crônicas nos rins podem ter complicações com o meio de contraste e quem tem implantes metálicos no corpo, como marca-passo cardíaco ou prótese auditiva, precisa se informar para saber se o dispositivo não será afetado pelo campo magnético gerado pelo aparelho.

 

AVANÇOS RECENTES A ressonância magnética continua abrindo novos horizontes para a medicina diagnóstica, principalmente na área de oncologia. A técnica não substitui a mamografia ou a ultrassonografia, mas pode ser útil no diagnóstico do câncer de mama, por exemplo. “A mamografia pode ser insuficiente se a mama for muito densa, como nos casos de pacientes mais jovens, que têm as mamas mais duras. A ressonância auxilia a identificar pequenos focos da doença, às vezes antes que a mamografia. O exame também é indicado para pacientes que têm próteses mamárias, explica Giuseppe D’Ippolito, chefe do setor de abdome do Departamento de Diagnóstico por Imagem da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, e médico radiologista das unidades Itaim e Morumbi do Hospital São Luiz, da Rede D’Or.

 

O exame também é capaz de detectar tumores no fígado, pâncreas e rins, além de ajudar a avaliar a eficiência de medicamentos quimioterápicos. “O teste tem ferramentas que permitem avaliar o comportamento biológico do tumor. Quanto menor a irrigação sanguínea da área, melhor o medicamento. O tumor para de crescer e morre. É como se você estivesse cortando o alimento dele”, compara o médico.

 

Já no campo da ortopedia, a ressonância quase sempre é superior a exames como radiografia, tomografia e raio X. “Ela consegue fazer o diagnóstico de qualquer doença do sistema musculoesquelético que promova alguma alteração anatômica. Isso inclui tumores ósseos ou musculares, malformações ósseas, lesões de ligamentos, cartilagem, meniscos, infecção óssea e de cartilagem, avaliação de trauma e edema ósseo”, afirma D’Ippolito.

 

A cardiologia é outra área em que a ressonância magnética adquiriu um papel central. A técnica possibilitou o estudo de doenças relacionadas a artérias coronárias (isquemia e infarto do miocárdio), e cardiomiopatias (doenças de causas desconhecidas que envolvem o músculo cardíaco), afirma Joalbo Matos de Andrade, chefe da área de ressonância magnética do Hospital Santa Luzia e médico do Hospital do Coração do Brasil, duas unidades da Rede D’Or São Luiz no Distrito Federal.

 

Na  neurologia, a ressonância magnética permite tanto verificar a presença de problemas no tecido nervoso – como um aneurisma – quanto prever se o paciente terá um comprometimento de alguma função cerebral após uma cirurgia. A técnica também pode ser usada para identificar as áreas do cérebro responsáveis por determinadas tarefas. Nesse tipo de exame, chamado de ressonância magnética funcional, o paciente é estimulado a realizar, por exemplo, movimentos dos dedos das mãos para “marcar” as áreas motoras cerebrais que comandam essa ação. A maior concentração de oxigênio na região é detectada por uma sequência específica de ressonância magnética e se transforma em um marcador dessa área, o que permite analisar se há alguma lesão no local.

 

Outro avanço significativo foi a possibilidade de avaliar mais precisamente tumores cerebrais e planejar o tratamento radiocirúrgico sem a necessidade de um processo cirúrgico craniano aberto, explica a médica radiologista Andrea Silveira de Souza, do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR). Souza afirma que a técnica também é útil para o diagnóstico de quadros de demência, pois ajuda a verificar quais regiões cerebrais sofrem maior grau de atrofia (por exemplo, a verificação do volume dos hipocampos na avaliação da doença de Alzheimer).